O "duelo interno" do Federal Reserve: Harker pede aumento das taxas, Barkin diz para esperar, afinal, quem seguir em setembro?
No mesmo dia, no mesmo Federal Reserve.
Uma pessoa em Dayton, Ohio, diz: "Temos que aumentar as taxas agora."
Outra em Greenville, Carolina do Sul, diz: "Vamos esperar um pouco, a inflação pode cair sozinha."
Um diz "um único aumento não é suficiente, podem ser necessários vários".
Outro diz "manter as taxas ou continuar a aumentá-las, ambos fazem sentido".
Isto não é um roteiro. Isto aconteceu de verdade a 13 de agosto de 2026.
O Federal Reserve está num duelo interno.
Vamos aos dados.
Esta semana houve dois eventos importantes.
Quarta-feira, CPI de julho divulgado — aumento mensal de 0,1%, anual de 3,4%; o núcleo do CPI anual caiu de 2,6% para 2,5%.
Quinta-feira, PPI de julho divulgado — queda anual de 5,5% para 4,7%, mensal estável, ambos abaixo do esperado.
No mesmo dia, pedidos iniciais de subsídio de desemprego subiram para 209 mil, ligeiramente acima dos 202 mil esperados.
Arrefecimento na produção, arrefecimento no consumo, mercado de trabalho ligeiramente mais frio. Três sinais juntos apontam para a mesma direção: a pressão inflacionária está a aliviar.
Após a divulgação dos dados, o CME FedWatch mostrou que a probabilidade de manter as taxas inalteradas em setembro subiu para 67,6%.
Em teoria, não deveria haver pressa para aumentar as taxas, certo?
Mas nem todos pensam assim.
Beth Harker, presidente do Federal Reserve de Cleveland, votante no FOMC este ano.
Ela já votou contra o aumento das taxas na reunião de julho.
Esta semana, ela tem sido consistentemente hawkish —
Segunda-feira (10 de agosto) disse: um aumento de 25 pontos base "não terá grande impacto na economia", podem ser necessários vários aumentos para reduzir a inflação para 2%.
Quinta-feira (13 de agosto) disse novamente: "O Federal Reserve deve aumentar as taxas agora."
Quais são as suas razões?
Primeiro, as taxas atuais "não são restritivas" — a faixa de 3,5% a 3,75% não está a pressionar substancialmente a economia.
Segundo, a inflação é "amplamente disseminada", não é um problema de um único setor.
Terceiro, ela está preocupada com riscos à estabilidade financeira — alavancagem da dívida pública, expansão do crédito privado, bolha da AI, tudo na sua lista de vigilância.
A posição de Harker é clara: não esperem mais, esperar é tarde demais.
Mas há quem ache que ela está a exagerar.
Tom Barkin, presidente do Federal Reserve de Richmond, não votante no FOMC este ano.
No mesmo dia (13 de agosto), ele disse algo completamente diferente na Carolina do Sul.
Barkin acredita que a atual alta inflação "deve-se em grande parte a tarifas, ao choque do preço do petróleo causado pela guerra no Irão e ao boom de investimento em AI" — todos "choques que devem desaparecer".
Se esses choques desaparecerem gradualmente, as taxas atuais podem ser suficientes, e a inflação pode cair sozinha, sem necessidade de mais aumentos.
Ele descreve a economia dos EUA como um "romance de suspense" — o final ainda não está escrito, não se apresse a virar a última página.
Mas ele também deixou uma porta aberta: se os problemas na cadeia de abastecimento persistirem e os gastos de capital em AI se mantiverem elevados por muito tempo, a pressão sobre os preços pode tornar-se inflação persistente, e aí será necessário aumentar as taxas.
A posição de Barkin é clara: vamos esperar e ver.
Agora a questão é — quem seguir?
Aqui está a informação chave:
Harker é votante no FOMC este ano, tem direito a voto.
Barkin não é votante este ano, apenas participa sem voto.
A voz dos votantes tem mais peso do que a dos não votantes.
Harker não está sozinha na sua luta.
Na reunião do FOMC de julho, três pessoas votaram contra, todas defendendo um aumento de 25 pontos base.
O presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Kashkari, também disse que o Federal Reserve deve "começar a aumentar as taxas gradualmente".
A governadora do Federal Reserve, Cook, também afirmou que está pronta para apoiar aumentos se os dados de inflação não melhorarem.
O campo hawkish está a crescer.
E o que o mercado pensa?
Até 14 de agosto, o CME FedWatch mostra:
Probabilidade de manter as taxas inalteradas em setembro — 65,2%
Probabilidade de aumento de 25 pontos base em setembro — 34,8%
O mercado aposta na estabilidade. Mas 34,8% para aumento não é um número pequeno.
E em outubro, a probabilidade de manter as taxas cai para 50,1%, e a de aumento sobe para 41,8%.
Em outras palavras: o mercado acha que pode não haver mudanças em setembro, mas em outubro ou dezembro, um aumento pode ser inevitável.
O que isto significa para nós?
Quanto maior a divisão interna no Federal Reserve, maior a volatilidade do mercado.
Antes do FOMC de 16 de setembro, cada discurso de um responsável é uma explosão direcionada.
Se Harker pedir aumento novamente, o BTC pode cair.
Se Barkin disser "esperem mais", o BTC pode subir.
Você aposta nos dados ou em quem tem a voz mais alta?
Não pense que a queda da inflação significa o fim dos aumentos.
Harker ainda está a bater o punho. E ela tem voto.
Faltam 33 dias para o FOMC de setembro.
Você acha que o Federal Reserve vai aumentar as taxas ou manter-se estável?
$BTC$ETH$APR#CPI与PPI同步降温,加息分歧扩大
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