A inflação arrefeceu, mas por que o Bitcoin ainda está "preso"?
Na quarta-feira à noite, quando viste os dados do CPI de julho, não sentiste um alívio?
Ano a ano 3,4%, o núcleo do CPI caiu para 2,5%, ambos conforme o esperado. A probabilidade de subida das taxas em setembro caiu diretamente de quase 50% para 38,1%.
"Boas notícias chegaram, o BTC deve subir, certo?"
Depois abriste o gráfico — o Bitcoin subiu brevemente para 64.400 dólares, depois caiu abruptamente para perto dos 63.800.
E o ouro? O ouro à vista subiu mais de 1%, aproximando-se dos 4.430 dólares.
Com o mesmo CPI, o ouro disparou, o Bitcoin ficou parado.
Ficaste confuso.
Muita gente não entende: inflação a arrefecer = probabilidade de subida das taxas a diminuir = expectativa de liquidez mais folgada = bom para o BTC.
Esta cadeia lógica está errada?
Não. Mas só está certa a meio.
O CPI de julho realmente arrefeceu — a inflação geral caiu de 3,5% para 3,4%, o núcleo de 2,6% para 2,5%.
Mas, olhando mais de perto, as coisas não são tão simples:
O custo da habitação contribuiu com dois terços do aumento do CPI desse mês. Rendas e aluguer equivalente do proprietário continuam a subir.
Os preços da energia ainda estão 14,7% mais altos ano a ano. O impacto do preço do petróleo acima de cem dólares só será realmente refletido no CPI em agosto.
A inflação "arrefeceu", mas não "desapareceu".
Mais importante — o mercado já tinha antecipado o "arrefecimento da inflação".
Antes da divulgação do CPI, o BTC já estava a negociar lateralmente perto dos 64.000 dólares há quase duas semanas.
"As boas notícias já estão precificadas" — esta é a descrição mais realista do mercado após o CPI.
Um dado conforme o esperado não fará o mercado disparar novamente. Só algo acima do esperado pode acender o mercado.
E o BTC enfrenta agora dois problemas estruturais mais complicados do que o CPI.
04.
Primeiro problema: as taxas de juro a longo prazo não descem.
As taxas de juro dos títulos do Tesouro a curto prazo realmente caíram — a probabilidade de subida das taxas diminuiu.
Mas e o rendimento dos títulos a 10 anos? Na quarta-feira, o Tesouro completou um leilão de 42 mil milhões de dólares em títulos a 10 anos, com rendimento vencedor de 4,683%, o mais alto desde 2007.
Porquê? O défice orçamental pressiona, o prémio de prazo empurra as taxas a longo prazo para cima.
O défice previsto para o ano fiscal de 2026 aproxima-se dos 1,9 biliões de dólares. O Tesouro emite dívida em grande escala, os investidores exigem retornos mais altos para comprar.
O que isto significa?
Mesmo que não haja subida das taxas em setembro, o custo do capital a longo prazo não vai cair. O rendimento dos títulos a 10 anos está estável acima de 4,6%, para o Bitcoin, que não paga juros, é uma espada suspensa sobre a cabeça.
As taxas a curto prazo afrouxaram, mas as de longo prazo ainda estão presas. O BTC é como se tivesse algemas soltas nas mãos, mas ainda com grilhões nos pés — não pode mover-se.
Segundo problema: BTC e ouro separaram-se completamente.
O ouro subiu 9% este ano, o BTC caiu 11%.
O ouro ultrapassou os 4.400 dólares, o BTC caiu abaixo dos 64.000 dólares.
Peter Schiff disse diretamente: o Bitcoin é agora "anti-ouro".
Embora esta frase dita por um defensor ferrenho do ouro seja um pouco dura, os dados são claros — ouro sobe, BTC desce; ouro recua, BTC sobe; ouro continua a subir, BTC continua a cair.
A narrativa do "ouro digital" desmoronou-se completamente nesta ronda de conflitos geopolíticos.
Porquê?
O ouro é um ativo de defesa pura — quando a guerra chega, fundos soberanos e bancos centrais investem diretamente nele.
O BTC é agora classificado pelo mercado como um ativo de risco altamente volátil — ligado ao setor tecnológico das ações americanas. Quando há conflitos geopolíticos, a reação das instituições é comprar ouro e vender BTC para recuperar liquidez.
Queres que o BTC seja um ativo de refúgio? Desculpa, o mercado não reconhece isso.
O diretor de investimentos do Sygnum Bank disse algo que esclarece o problema:
O arrefecimento da inflação combinado com o enfraquecimento do emprego torna cada vez mais justificável que o Fed não suba as taxas — mas o que o mercado quer saber agora não é "quando parar de subir as taxas", mas "quando começar a baixar as taxas".
Parar de subir as taxas é uma suspensão da pena. Começar a baixar as taxas é a libertação.
O BTC recebeu agora apenas uma notificação de suspensão da pena.
Enquanto o Fed mantiver a política de "mais alto por mais tempo", enquanto o rendimento dos títulos a 10 anos se mantiver acima de 4,6%, enquanto as instituições continuarem a ver o BTC como um ativo de risco e não de refúgio —
O BTC continuará preso.
Então, quando poderá sair?
Dois sinais, ambos necessários:
Primeiro, a descida das taxas tem de acontecer de verdade. Não é "não subir as taxas", é "começar a baixar". Só quando a torneira da liquidez abrir é que o capital fluirá do ouro e dos títulos do Tesouro para os ativos de risco.
Segundo, o BTC tem de redefinir a sua natureza como ativo. Seja através do fluxo de fundos de ETFs para se tornar um "ativo quase institucional", seja contando uma nova história baseada na escassez pós-halving — este caminho ainda não foi trilhado.
Até lá —
Não tomes o "arrefecimento da inflação" como o sinal de partida para um mercado em alta.
Ele apenas te diz: a pena de morte foi suspensa. Não é uma libertação.
Depois do CPI, o BTC ainda está a oscilar entre 63.000 e 64.000, quando achas que poderá realmente romper?
$BTC$ETH$XAU#7月CPI平稳落地,9月加息预期降温
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