Mineiros mudam de ramo para serem "senhores de imóveis": por trás do contrato de AI de 9,1 mil milhões de dólares, a lógica de fornecimento do Bitcoin está a ser reescrita
Se uma empresa de mineração de Bitcoin deixar de ganhar dinheiro vendendo moedas no futuro —
Ainda a verias com a avaliação de "mineiro"?
A 10 de agosto, a Riot Platforms lançou uma bomba.
O gigante da AI Anthropic — a empresa que criou o Claude — assinou um contrato de aluguer de capacidade computacional de 20 anos com a Riot.
9,1 mil milhões de dólares garantidos.
Se as duas opções de renovação forem exercidas — 16,1 mil milhões de dólares.
O que a Riot vai fazer é simples: alugar a capacidade elétrica de 191 megawatts do seu parque em Rockdale, Texas, para a Anthropic correr AI.
Assim que a notícia saiu, as ações da Riot dispararam 25% após o fecho, para 24,40 dólares.
Uma empresa de mineração de Bitcoin que ganha dinheiro vendendo "eletricidade" em vez de "moedas" e que viu as suas ações subir 25%.
Mas se pensas que isto é uma simples boa notícia — estás a ser ingénuo.
No mesmo dia, a Riot divulgou o seu relatório financeiro do segundo trimestre.
Receita de 174,2 milhões de dólares, acima do esperado. Mas prejuízo líquido de 237,2 milhões de dólares, quase o dobro do esperado pelo mercado.
Perderam 237 milhões, e as ações subiram 25%.
O que é que o mercado está a apostar?
Está a apostar que a Riot já não é uma "empresa de mineração".
Por trás disto está uma migração estrutural em curso.
Na primeira metade de 2026, a Riot já vendeu 9.665 Bitcoins, arrecadando 732,5 milhões de dólares.
Porquê vender?
Porque minerar já não é lucrativo.
O custo de mineração com depreciação incluída para empresas listadas nos EUA já disparou para 112.000 dólares. E quanto vale o Bitcoin agora? Cerca de 64.000.
Minar um custa mais do que o valor da moeda.
Por isso, as empresas de mineração estão todas à procura de uma saída. A receita do centro de dados AI da Core Scientific disparou de 8,6 milhões para 77,5 milhões, um aumento de 9 vezes em relação ao ano anterior. IREN, Hut 8, Cipher Mining — todas estão a mudar.
Isto não é uma escolha, é uma questão de sobrevivência.
E o negócio de 9,1 mil milhões da Riot eleva a "transformação" a um novo patamar.
Um analista da Bernstein fez as contas: o negócio de alojamento AI representa 84% do valor-alvo da Riot, enquanto a mineração de Bitcoin representa apenas 11%.
84% contra 11%.
Isto ainda é uma "empresa de mineração de Bitcoin"?
A H.C. Wainwright aumentou o preço-alvo da Riot de 25 para 40 dólares. A Morgan Stanley deu um preço-alvo de 36 dólares, com classificação "sobreponderar".
Wall Street está a redefinir esta empresa.
Então, o que isto significa para nós que detemos Bitcoin?
Três coisas, todas dolorosas.
Primeira: a pressão dos mineiros para vender moedas está a diminuir.
Antes, os mineiros eram os "vendedores nativos" de Bitcoin — para pagar a eletricidade e comprar novos equipamentos, tinham de vender grandes quantidades de Bitcoin todos os meses.
Agora é diferente. A Riot vendeu 9.665 Bitcoins na primeira metade de 2026 para investir em infraestrutura AI. Mas esse dinheiro investido traz uma receita estável de aluguer de 9,1 mil milhões de dólares ao longo de 20 anos.
Assim que o contrato de AI começar a gerar fluxo de caixa, os mineiros não precisarão de vender moedas para manter as operações.
Menos pressão para vender → menos pressão de venda sobre o BTC.
Segunda: a lógica de avaliação das empresas de mineração mudou.
Antes, o mercado avaliava as empresas de mineração pelo poder computacional, número de máquinas e custo de mineração por moeda.
E agora? Avalia pela capacidade elétrica, contratos de longo prazo e crédito dos clientes.
O mercado de capitais sempre descontou as empresas de mineração de Bitcoin, com múltiplos EBITDA geralmente entre 6 e 12.
Mas as empresas de centros de dados AI?
Mais de 10 vezes.
Os mesmos ativos — eletricidade, terra, salas de máquinas — com etiquetas diferentes, quase o dobro da avaliação.
Terceira e mais importante —
A "narrativa do lado da oferta" do Bitcoin está a ser reescrita.
Na última década, "halving → oferta reduzida → preço a subir" foi a narrativa central do Bitcoin.
Mas se os mineiros já não dependem da venda de moedas para manter o fluxo de caixa — o impacto do halving na oferta é assim tão grande?
Ninguém pode responder a esta pergunta agora.
O negócio da Riot só estará totalmente operacional em junho de 2028.
9,1 mil milhões de dólares é a receita total para 20 anos, o que dá cerca de 450 milhões por ano. E a receita anual atual da Riot é cerca de 700 milhões.
Água distante não apaga sede imediata.
E o mercado já começou a arrefecer. No dia seguinte ao anúncio, as ações da Riot recuaram parte dos ganhos na negociação regular.
A atitude de Wall Street em relação à transformação AI das empresas de mineração mudou de "entusiasmo" para "racionalidade". Os anúncios iniciais de AI provocavam em média 24% de volatilidade nas ações, agora só 10%.
A fase de contar histórias passou, agora é tempo de resultados concretos.
Voltando à pergunta inicial:
A Riot ainda é uma "empresa de mineração de Bitcoin"?
Pela estrutura de receitas — ainda não. Pela lógica de avaliação — já está a mudar. A longo prazo — pode nunca mais ser.
Os mineiros estão a passar de "vendedores de moedas" para "senhores de imóveis".
O que isto significa para o Bitcoin pode precisar de ser repensado.
Acham que a transformação das empresas de mineração para AI é boa ou má?
$BTC$ETH$SOL#比特币矿企Riot获Anthropic算力大单
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